A Marcha das Vadias e o ódio na internet

Sábado, em São Paulo, ocorreu a primeira SlutWalk brasileira. Primeiro, o vídeo:

 

 

Eu diria, em resposta ao Gentili, que não importa em qual plataforma o Rafinha Bastos fez seus comentários infelizes; o que importa é que esses comentários são inaceitáveis. Ah, e considerando-se que Rafinha em momento algum se desculpou pelo que disse, vou julgá-lo por ter dito essas coisas, sim. Não vejo outra forma de avaliar uma pessoa que não seja por suas ações. Não é  sobre isso, contudo, que quero escrever. O que eu quero discutir são os comentário altamente machistas, ofensivos e agressivos postados em resposta ao vídeo.

 

Só quatro exemplos porque a) são representativos e b) não tenho estômago para ler mais disso.

Esse protesto se chama??? FALTA DE LOUÇA PARA LAVAR!

 

GARANTO QUE SE O ESTUPRADOR PASSAR DE BMW E METER O &¨%¨@%! ESSAS MULHERES N FALAVAM NADA. EXISTEM HOMENS RICOS QUE FAZEM HORRORES E NÃO SÃO CHAMADOS DE ESTUPRADORES, PQ SERÁ? ¬¬ QUEM É O SER SAFADO NESSA HISTÓRIA? QUEM COMPRA O CORPO OU QUEM VENDE-O? OLHA QUE??? N SÃO MULHERES DE RUA (POBRES) QUE SE VENDEM, SE LIGA!

 

Essas feministas só fazem as mulheres passarem vergonha.???

 

Ridículo isto…estas burras??? alopradas vêem esta passeata lá fora e vem fazer esta babaquice aqui?Acorda Brasil!!! Tantas coisa pra protestar , saúde , educação etc etc etc

É claro que comentários ofensivos não são exclusividade dos vídeos sobre violência sexual. Lev Grossman, escrevendo para a revista americana Time, afirmou que “some of the comments on YouTube make you weep for the future of humanity just for the spelling alone, never mind the obscenity and the naked hatred” (“Alguns dos comentários do YouTube nos fazem temer pelo futuro da humanidade apenas pelos erros de ortografia, sem falar na obscenidade e no ódio aberto”). O antropólogo Michael Wesch, que fez uma etnografia do site de vídeos, descreve esse “ódio como performance pública” como resultado da combinação de anonimato, distância física e diálogo raro e efêmero. (Há outras teorias, menos acadêmicas, a respeito desse tipo de comportamento)

 

Ainda assim, histórias sobre violência sexual parecem atrair o pior dos piores comentadores na internet. Nessa plataforma anônima, que garante um contato distante e efêmero, desaparece qualquer pretensão de civilidade; só resta a reação violenta a qualquer tentativa de se mudar os termos da discussão sobre a desigualdade de gênero. A cultura de estupro em que vivemos cobra das mulheres que se cubram, se resguardem e se policiem, ou sofram as consequências. Às mulheres que se recusam a obedecer não é reconhecido o direito de exigir respeito. Mais: protestar é cometer o duplo crime de ser inútil e fútil – porque o protesto não muda nada e uma vida livre de violência sexual não é uma demanda suficientemente importante perante os outros problemas do país.

 

Só uma mudança radical erradicará essa e as outras tantas manifestações da opressão de gênero. Enquanto isso, fico com o conselho de Chloe Angyal: Rules to live by: Be kind. Work hard. And do not, do not, DO NOT read the comments on internet articles about sexual assault or rape.

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One thought on “A Marcha das Vadias e o ódio na internet

  1. CAROL says:

    acho que tem mto tempo que eu nao ligo o pc em casa, pois nao vi nenhum posto seu desde o que, para seu orgulho, recebeu o 1o troll, haha. meu estomago embrulhou agora (e olha que ja estou ha mto de jejum). me lembrei tamb??m do caso daquele juiz (ou qq coisa do genero) que assediou uma atendente de uma loja no sul. foi a 1a coisa que me veio ?? mente quando li os coment??rios deprimentes aos quais voc?? fez referencia aqui. na mat??ria que tratava deste caso, possivelmente no grobo, eu li os coment??rios mais absurdos que eu ja li na vida. pior que acho que at?? te repassei, na ??poca. e olha que ja li muitos – n??o sei pq, ainda insisto em ler. talvez, hm, minha falta recorrente de apetite se deva ?? enormidade de coisas do g??nero que me provocam tamanho nojo. uma boa hip??tese… ok, isso aqui ficou meio nonsense.

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