O anti-feminismo conservador e o atentado na Noruega

Em meio às notícias do atentado na Noruega, uma coisa parece ter ficado de fora: o terrorista, em seu manifesto, não apenas denunciava os males do Islã e do multiculturalismo (e da mistura de raças no Brasil), mas também atribuía a culpa às feministas. Segundo Breivik, o feminismo levou a taxas elevadas de divórcio e à queda da taxa de natalidade entre os ocidentais brancos. O “vazio demográfico” criado por mulheres egoístas focadas em suas carreiras permitiu aos islâmicos, com sua alta taxa de natalidade, dominar os países do Ocidente. A resposta, para Breivik, seria limitar o acesso à contracepção, proibir o aborto e desencorajar as mulheres a continuar seus estudos – o que, em suas próprias palavras, envolveria “restrições significativas dos direitos das mulheres”.

O ponto mais importante, ressaltado em ambos os links acima, é que as ideias expressas no manifesto não são apenas o resultado de uma mente doente e extremista. Da mesma forma que o racismo, a xenofobia e o anti-islamismo expressos pelo terrorista são propagados pela extrema-direita em vários países europeus, a misoginia de Breivik é um eco do que aparece nos diversos sites de “direitos dos homens”. Não se trata de afirmar que todos os que partilham dessas ideias são terroristas em potencial. Talvez não seja possível encontrar uma explicação para esse tipo de violência. O que importa é que essa retórica do ódio tem consequências. É preciso denunciá-la em todas as suas encarnações.

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