Abaixo as princesas 3

Os livros de hoje são um pouco diferentes. Neles, importa menos o que a personagem principal é do que o que ela representa. (Admito ter flexibilizado um pouco as regras, mas achei que eles mereciam estar entre as recomendações).

Começando pelos livros-imagem da Suzy Lee: Onda, Espelho e Sombra. Como já disse, eles são totalmente diferentes dos que já apresentei: não têm propriamente uma história, nem desenvolvem muito da personagem principal. Ainda assim, acho que a inclusão é merecida, não só porque os livros são belíssimos, mas pelo que encorajam os leitores a fazer: interpretar a história e, com isso, se colocar no lugar da personagem principal.

Por não terem palavras, os livros de Lee criam a possibilidade de se ler várias histórias diferentes em suas páginas. Ao mostrar a personagem principal interagindo com o mundo, criam uma situação com que qualquer criança pode se identificar, mas, ao contrário da grande maioria dos livros, não coloca um menino branco como o representante universal de todos. Para quem tem crianças pequenas a presentear, recomendo fortemente qualquer um dos três (ou todos os três).

A árvore vermelha é outro livro com arte belíssima (obviamente, dado que é do Shaun Tan) e que não tem propriamente uma história. O livro trata da tristeza, solidão e depressão que todos sentem de vez em quando. A árvore vermelha do título aparece no fim da história, sem muita explicação, representando o que traz alegria nesses momentos. Como nos livros de Suzy Lee, a personagem apenas vivencia as experiências que o livro relata, mas não tem uma personalidade, nem objetivos, medos ou desejos. A própria forma como o livro é escrito indica como ela deve ser vista. Shaun Tan escreve: “às vezes o dia começa sem nada de interessante no horizonte. (…) a escuridão esmaga você.” A história não é sobre a personagem; ela está ali apenas como representante de algo universal, algo que o leitor – a quem Tan se dirige diretamente – também já viveu. Da mesma forma que a personagem dos livros de Suzy Lee, temos aqui uma pessoa qualquer, mas que não é um homem (ou menino) branco. Também gosto muito desse livro pelos temas que aborda. Livros infantis também devem falar de coisas difíceis, também devem apresentar ideias mais complexas sem dar respostas fáceis (A árvore generosa, de Shel Silverstein, vem à mente, mas não foi incluída por não ter personages femininas*). A árvore vermelha é um livro com pouco texto, ideal para crianças que estão aprendendo a ler.

*Na versão em português, “a árvore” dá a entender que se trata de uma personagem feminina, mas não há nada no texto que indique isso para além dessa peculiaridade da nossa língua de atribuir gênero a todos os substantivos.

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