Introdução ao gênero: apresentação

Lendo este blog, fica claro que gênero é um tema que me interessa. Já escrevi sobre várias questões ligadas a gênero ao longo dos últimos anos, mas nunca cumpri a promessa de escrever um texto introdutório sobre o tema, em parte por falta de tempo, em grande medida por saber que não conseguiria dar conta de algo tão amplo e complexo. Resolvi pôr um fim à procrastinação e dizer logo o que posso. Em tempos de avanços de grupos conservadores, me parece importante ter algo, ainda que imperfeito, para combater visões machistas e preconceituosas.

Deixo claro o que esta introdução não é: não é uma discussão acadêmica do conceito de gênero, nem pretende ser uma apresentação exaustiva do tema. Não teria capacidade de fazer a primeira bem e a segunda é impossível. O que esta introdução pretende ser é apenas um primeiro contato com as discussões de gênero para quem ainda não parou para pensar muito sobre o assunto ou ainda está operando com uma visão tradicional da questão.

É justamente essa visão que será nosso ponto de partida. O senso comum sobre os seres humanos é que se dividem em dois grupos biologicamente distintos de acordo com o sexo. Ser do sexo masculino tornaria alguém, naturalmente, homem; ser do sexo feminino tornaria alguém, naturalmente, mulher. Mulheres e homens seriam diferentes por natureza e teriam comportamentos e sentimentos distintos. Por fim, a natureza humana também levaria à atração heterossexual. O sexo produziria gênero, que produziria a (hetero)sexualidade. Essa visão é defendida e sustentada tanto com apelos à natureza quanto com apelos à religião. Muitas pessoas pensam não só que essa é a realidade dos seres humanos, mas também que o é porque deus nos fez assim. Vejamos por que essa visão está completamente errada*.

Parte 1: sexo

Parte 2: gênero

Parte 3: orientação sexual

*Acho que a esta altura já está claro que sou ateia e que discordo de qualquer explicação que envolva (qualquer) deus. Contudo, não tenho o menor interesse em entrar numa discussão de religião aqui. Quando digo que o senso comum está errado é porque o gênero não funciona assim na prática. Independentemente de que papel você atribua a (algum) deus na vida humana, ele não pode ter criado algo que não existe.

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