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Introdução ao gênero: orientação sexual

Esta é a terceira e última parte da introdução sobre o gênero. Aqui estão a apresentação, a primeira parte, sobre sexo, e a segunda, sobre gênero.

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A orientação sexual seria a última parte do esquema de senso comum que vimos na apresentação: o sexo (binário) leva ao gênero (binário) que leva à orientação (hetero)sexual. Já sabemos que há muito mais do que duas possibilidades tanto no sexo quanto no gênero e que não há nenhuma relação necessária entre os dois. Só com base nisso, já podemos descartar a ideia de que a heterossexualidade é “natural” ou “certa”. Há mais a se dizer do que só isso, então vamos começar com alguns termos.

Você provavelmente já sabe que existem pessoas que sentem atração por pessoas do mesmo gênero e se identificam como homossexuais, gays ou lésbicas (se forem mulheres que sentem atração por outras mulheres). Existem pessoas que sentem atração por homens e mulheres e se identificam como bissexuais. Algumas pessoas, reconhecendo a inexistência do binarismo de gênero, preferem se identificar como pan ou omnisexuais – ou seja, sentem atração por pessoas de todos os gêneros. Menos conhecidos são os assexuais, pessoas que não sentem (ou sentem muito pouca) atração sexual. Pessoas assexuais podem ainda assim buscar e ter relacionamentos românticos*, apenas sem a dimensão sexual. Existem ainda pessoas que consideram sua orientação sexual fluida e que num momento de vida se identificam de uma forma e, num outro, de outra. Mesmo para quem não tem uma sexualidade fluida, ela não é tão rígida. Já sabemos disso desde, pelo menos, a década de 1940, quando Alfred Kinsey e seus colegas fizeram um estudo inovador sobre a sexualidade humana. Para esse estudo, desenvolveram a escala Kinsey, que classificava a orientação das pessoas de 0 (exclusivamente heterossexual) a 6 (exclusivamente homossexual), com os valores de 1 a 5 representando diferentes níveis de desejo por atividade sexual com homens e mulheres. Ainda que tenham recebido críticas, um achado específico, de que poucas pessoas são 0 ou 6 perfeitos, permanece relevante. O ponto mais importante é este: a realidade é mais diversa e mais complicada do que nossas representações de senso comum fazem parecer.

Bom, se não existe relação necessária entre sexo/gênero/orientação sexual, o que explica o fato de as pessoas terem a orientação sexual que têm? Aqui também vemos apelos frequentes à biologia. De tantos em tantos meses, vemos notícias falando da descoberta de algum “gene gay”, ou sobre como o cérebro de homens gays é parecido com o de mulheres hetero, ou alguma bobagem assim. Novamente, não há qualquer base científica para essas alegações. Os estudos que anunciavam ter descoberto o “gene gay” (e que parecem ter saído de moda, felizmente) não costumavam passar de associações tênues da presença de um gene com a atração por pessoas do mesmo gênero. Já discutimos os problemas dos estudos da área de neurociência. Há também um problema de hipersimplificação do que a sexualidade é. A atração vai muito além do gênero. O que é considerado bonito e atraente varia dependendo do contexto social. Mesmo que você se contraponha aos padrões de beleza, é inegável que eles exercem uma forte influência sobre nossa visão de nós mesmos e dos outros. Esses padrões (machistas, racistas, capacitistas**, gordofóbicos, etc., diga-se de passagem) certamente não podem ser reduzidos a um gene ou uma coformação do cérebro. A sexualidade também envolve o que se faz, e não só com quem. Isso escapa completamente à classificação hetero/homo/bi/etc. Não só isso, mas também é culturalmente mediado – o que é socialmente aceito? O que é tabu? O que “se faz” e o que “não se faz”? Isso não significa que todas as pessoas se comportem da mesma forma, mas que existem padrões que só podem ser compreendidos quando se leva em consideração o contexto das pessoas.

Voltamos ao mesmo ponto do último post: sabemos que existem pessoas com orientações diversas, ainda que não saibamos explicar por que. Como disse sobre a identidade de gênero, “Não precisamos de uma explicação científica para aceitarmos a autodefinição das pessoas, para acreditarmos quando falam de suas próprias experiências”.Contudo, isso ainda não justifica falar sobre orientação sexual numa introdução sobre gênero, dado que, como vimos, os dois não têm nenhuma relação necessária.

Aí que está o X da questão: a orientação sexual não tem relação necessária com o gênero em termos de um definir o outro mas há, sim, uma relação em termos da última dimensão do gênero que discutimos, ou seja, o gênero como uma forma de distribuir poder. Há uma relação muito estreita entre o policiamento de gênero e as tentativas de reprimir sexualidades consideradas desviantes porque a estrutura pressupõe a existência apenas de homens e mulheres e a heterossexualidade faz parte de sua caracterização. Um homem que sinta atração por outros homens está “se igualando” a uma mulher, nessa lógica, da mesma forma que uma lésbica “se iguala” a um homem. Pessoas queer***, simplesmente por existirem, ameaçam a estrutura e os privilégios que as pessoas cis e hetero recebem dela. É nessa lógica que se insere a violência homofóbica e lesbofóbica, as agressões e assassinatos e, especificamente no caso de lésbicas, os “estupros corretivos”. O objetivo é eliminar as ameaças à estrutura ao eliminar as pessoas que nela não se enquadram. Gênero e sexualidade estão, assim, intimamente associados e se autorreforçam, mas não da maneira como a visão de senso comum imagina.

É importante lembrar que essas estruturas não agem de forma binária. Não se trata de ter ou não privilégio, se beneficiar ou se prejudicar. Uma mulher cis e hetero recebe privilégio de ser essas duas coisas da mesma estrutura que a prejudica por ser mulher. Homens cis gays têm privilégio de gênero como resultado da mesma estrutura que os prejudica por sua orientação sexual. E por aí segue, em todas as combinações possíveis. É especialmente importante atentar para essas dinâmicas porque a tendência é que elas se reproduzam mesmo em espaços de luta por mudança social. Já falei um pouco da transfobia do movimento feminista. O movimento LGBT também tem dado mais espaço às demandas de seus membros com mais privilégio – os homens cis brancos de classe média.

Encerro por aqui esta breve introdução ao gênero. Como já disse, existe uma quantidade enorme de textos – acadêmicos, de militância, relatos pessoais – para cada ponto tratado nesta série. Espero que os meus textos ajudem a dar um pontapé inicial nessa discussão, especialmente no que diz respeito a desnaturalizar e desconstruir a visão de senso comum por aí.

*Algumas pessoas assexuais têm, assim, uma orientação romântica: trata-se das pessoas com quem buscam envolvimento romântico, não sexual.

** Capacitismo é a concepção de que pessoas com deficiência não são iguais, são incapazes, menos aptas do que as outras. No que diz respeito aos padrões de beleza, estamos falando da percepção de que pessoas com deficiência não podem ser belas ou atraentes, inclusive apagando sua sexualidade. Obrigada à Beatriz Barreto e à Fernanda Nunes pela correção do termo!

***Um termo amplo que abarca todas as pessoas que não são cisgênero e/ou heterossexuais

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Introdução ao gênero: gênero

É tão bom quando você começa uma série de posts e só depois percebe que o título de um deles vai ficar redundante…

Enfim, esta é a segunda parte da introdução sobre o gênero. Ela começa na apresentação; a parte 1 é sobre sexo.

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Você poderia passar o resto da vida estudando gênero. Existem cursos inteiros, livros, artigos, documentários, todo um mundo de coisas que eu obviamente não terei condição de abordar aqui. Neste texto, vou me concentrar em três ideias centrais: identidade de gênero, expressão de gênero e gênero como forma de distribuir poder na sociedade.

A identidade de gênero é o que está contido, por exemplo, na frase “sou mulher”. É como as pessoas se identificam. Colocar nesses termos já cria uma mudança em relação ao que estamos acostumados a pensar. Geralmente pensamos o gênero como algo que se é, como na frase acima. Há críticas a essa ideia que veremos mais à frente, mas o ponto a que quero chegar agora é o seguinte: se entendemos que não há nenhuma relação necessária entre sexo e gênero, se não há nenhuma base biológica para que se determine o gênero de uma pessoa, então a única maneira de se saber o gênero de alguém é sabendo como ela se identifica. Para entender melhor isso, vamos ver alguns conceitos ligados à identidade de gênero.

Quando nascemos, somos designados um gênero com base nos órgãos genitais. A maioria das pessoas, sendo do sexo masculino ou feminino, é designada como homem ou mulher, respectivamente. Aquelas pessoas que não se enquadram em uma das pontas do contínuo do sexo biológico também costumam ser designadas como um ou outro gênero, mas, nesses casos, as famílias costumam entender isso como uma escolha mais explícita do que quando se trata de crianças que estão nas pontas. Para a maioria das pessoas, a ideia de que o gênero (binário) segue do sexo (binário) é tão óbvia que pensam que uma criança necessariamente é menina por ter vagina ou necessariamente é menino por ter pênis. Em qualquer caso, ao escolher um nome, ao tratar a criança por pronomes femininos ou masculinos, ao escolher roupas, brinquedos, as cores do quarto, a família está fazendo uma escolha. É, na melhor das hipóteses, um chute: você diz a identidade de gênero que acha que será a da criança. Na pior das hipóteses, torna-se uma imposição violenta à criança de algo que ela não é.

Isso porque, enquanto a maioria das pessoas se identifica com o gênero que lhes foi designado ao nascer, algumas pessoas, não. Chamamos de cisgênero, ou apenas cis, as pessoas que se identificam com o gênero que lhes foi designado e transgênero, ou trans, as que não se identificam. Algumas pessoas trans se identificam como homens ou mulheres, mas outras se identificam como não-binárias. Isso significa que elas não se enquadram numa visão em que há apenas dois gêneros, homem e mulher. Algumas não se identificam com nenhum dos dois, outras se identificam com ambos, outras se identificam com um dos dois, mas não completamente, algumas têm uma identidade mais fluida, que passa de um a outro em momentos diferentes de vida… – e isso sem entrar na grande variedade de possibilidade de gêneros que existem em outras culturas. (Este vídeo traz uma discussão longa sobre diferentes identidades de gênero*)

Para pessoas cisgênero, que concordavam com o gênero que a família lhes impôs, que cresceram sem nunca ter sua identidade de gênero contestada, pode ser difícil entender que o gênero é algo com que ativamente nos identificamos, que fazemos ativamente, ao invés de uma essência, algo que somos desde que nascemos. Isso pode ser mais perceptível para pessoas trans, mas é verdade para todos. Isso também significa que nenhuma identidade de gênero é mais certa ou mais válida do que outras. Não é porque a maioria das pessoas é cis e binária, ou porque suas experiências não lhes permitem enxergar a falsidade da ideia de um gênero que segue, necessariamente, de um sexo biológico, que ser cis e/ou binário seja “natural” ou “certo”.

Por que algumas pessoas se identificam como homens, outras como mulheres, outras como não-binárias? Por que algumas pessoas são cis e outras trans? Há pessoas que tentam explicar isso com base na existência de cérebros masculinos ou femininos. Como já vimos, essa explicação não faz nenhum sentido.

Uma parte importante do motivo é o fato de que vivemos em uma sociedade organizada em torno do gênero. Somos expostos a ideia de que todas as pessoas têm gênero (mais especificamente, que são homens e mulheres) e que nós também temos desde que nascemos. Para falantes de línguas como o português, em que todos os substantivos têm gênero, em que artigos, adjetivos e pronomes todos concordam com gênero, essa compreensão do mundo (e de nós mesmos) é ainda mais reforçada.

Isso não responde totalmente a pergunta, obviamente. A verdade é que não há, até onde eu saiba, uma explicação definitiva. Isso, contudo, não nos impede de reconhecer que identidades de gênero múltiplas existem. Não precisamos de uma explicação científica para aceitarmos a autodefinição das pessoas, para acreditarmos quando falam de suas próprias experiências. Isso é especialmente importante em relação a pessoas trans e não-binárias, que são alvo de discriminação intensa em nossa sociedade, sendo constantemente silenciadas, representadas de forma preconceituosa e submetidas à aprovação da autoridade médica simplesmente para terem suas identidades reconhecidas.

Se a identidade de gênero é como a pessoa se identifica, a expressão de gênero está ligada à ideia de gênero como algo que fazemos. Aqui cabe entrar um pouquinho numa discussão mais acadêmica e falar do conceito de gênero como performance, da Judith Butler. Butler rejeita completamente a ideia de que gênero é algo que se é. Para ela, o gênero é um tipo de performance, algo que se faz. Segundo ela, é a “estilização repetida do corpo, um conjunto de atos repetidos dentro de um quadro regulatório rígido que se solidificam ao longo do tempo para produzir a aparência de substância, de um tipo natural de ser”. Vamos por partes porque o texto em si não é o mais claro possível. Quando ela fala de “atos repetidos” e da “estilização do corpo”, está se referindo a uma série de coisas, como a forma como as pessoas se portam, a forma como andam, como falam, como cortam o cabelo, as roupas que usam, etc. É uma estilização do corpo porque nada disso é natural, nada decorre naturalmente de um gênero, mas são coisas que introjetamos ao repeti-las ao longo dos anos, até que passam a parecer naturais. (Se ainda assim estiver complicado, este vídeo, que discute esse conceito a partir do jogo The Sims, talvez ajude.**)

A expressão de gênero, é, assim, o fazer o gênero, são as ações que tomamos que comunicam (e, para Butler, criam) nosso gênero. Há um segundo ponto da citação que é importante aqui: essas ações, segundo Butler, estão inscritas em um “quadro regulatório rígido”. Dizer que gênero é performance não é dizer que seja livre, muito pelo contrário. Existem expectativas sociais rígidas em relação ao gênero. Elas são regulatórias porque são essas expectativas que tornam o gênero inteligível. É ao nos conformarmos a essas expectativas que somos vistos como mulheres ou homens (a este ponto já deve estar claro que essas expectativas são estritamente binárias e que qualquer identidade que fuja ao binarismo também foge a essa inteligibilidade).

Que fique claro que ninguém corresponde plenamente a essas expectativas porque isso é impossível. Ainda assim, a maioria das pessoas se adequa em grande medida a essas expectativas. Por que? Pelo menos em parte, justamente porque crescemos com elas e introjetamo-nas. Nossa compreensão do que é ser mulher ou homem (e portanto do que somos ao sermos mulheres e homens) é informada por essas expectativas. Há também um preço a se pagar quando se desvia dessas expectativas, e essa é a outra maneira como elas agem de forma regulatória. Não se conformar às expectativas significa não ser inteligível, não ter sua identidade reconhecida, mas também pode significar sofrer discriminação e até violência. Isso é especialmente grave para pessoas trans. Em muitos países, uma pessoa trans tem que se submeter a cirurgias e/ou tratamentos hormonais para poder mudar seus documentos de forma que reflitam sua identidade de gênero. Conformar-se às expectativas e, mais ainda, parecer ser cis é com frequência a única forma de terem suas identidades respeitadas e, em muitos casos, é literalmente questão de vida ou morte. Essa cobrança, às vezes até por meio de violência, de que as pessoas correspondam às expectativas de gênero é o que chamamos de policiamento de gênero.

Essas expectativas não são iguais para todas as pessoas. O que espera-se de uma mulher é diferente de acordo com sua raça, classe, idade, e muitas outras dimensões. Ser mulher – ou fazer-se mulher – será diferente dependendo da posição que se ocupa nessas diferentes estruturas. Consequentemente, o policiamento de gênero também é diferente. Se uma mulher jovem usa roupas curtas ou justas, isso é considerado bonito, sexy. Se uma muher com mais de 60 anos faz o mesmo, ela é ridícula. Quando a Miley Cyrus se apropria do estilo de dança que os americanos chamam de twerking, é provocador, inusitado. Quando mulheres negras, especialmente de classe baixa, dançam da mesma forma, é vulgar.

A questão do policiamento de gênero nos leva ao último ponto deste texto, que é sobre como o gênero funciona como forma de distribuir poder na sociedade. Não quero entrar numa discussão do que poder é ou como exatamente defini-lo. Podemos concordar que existem diferentes tipos de poder na sociedade – o político, o econômico, o poder da mídia de determinar que histórias são contadas, o poder de tomar decisões numa família, e por aí vai. Nenhum desses tipos de poder é compartilhado igualmente por todos. Existem diferentes estruturas que determinam como esse poder é distribuído, como classe, raça e gênero. Negar o direito ao voto às mulheres é uma forma clara de concentrar o poder político, por exemplo, mas existem formas mais sutis de reduzir o poder das pessoas. O fato de mulheres serem desproporcionalmente responsáveis pelo trabalho doméstico é um exemplo. Isso impede que mulheres compitam em pé de igualdade no mercado de trabalho e as mantém numa posição subordinada em suas famílias. Ou o fato de a sociedade não protegê-las da violência sexual e doméstica, deixando-as à mercê de agressores e empurrando-as para longe de espaços públicos, que, afinal, não são (tornados) seguros. O policiamento de gênero é também uma forma por meio da qual o gênero leva a uma distribuição desigual de poder. Qualquer pessoa que desvie das expectativas de gênero é uma ameaça a toda essa estrutura. Manter a estrutura de gênero (que é uma estrutura de poder) significa eliminar as possibilidades que desviam do roteiro.

Em nossa sociedade, a estrutura de gênero privilegia homens, pessoas cis, pessoas binárias e pessoas cuja expressão de gênero está de acordo com expectativas. Mas essa estrutura não existe sozinha. Ela interage com outras estruturas de poder, gerando diferentes tipos de (falta de) privilégio. Um exemplo perfeito disso é o famoso discurso “Ain’t I a woman?” (“Não sou uma mulher?”) de Soujorner Truth, uma norte-americana negra, ex-escrava, abolicionista e feminista. Nele, Truth aponta o que se diz de mulheres, que são delicadas e precisam de ajuda, e mostra como isso não se aplica a ela. Como escrava, Truth foi forçada a exercer um trabalho árduo durante longas horas. Da mesma forma, enquanto a maternidade de mulheres brancas e ricas era louvada, a dela era desconsiderada: seus filhos foram tirados dela, mera propriedade de alguém. Para uma mulher branca, a valorização da maternidade e a ideia de que mulheres são intelectual e fisicamente inferiores aos homens são formas de restringi-las à esfera doméstica e retirar-lhes poder e agência. Para mulheres negras, contudo, as representações de gênero não são iguais. Raça e gênero se combinam para gerar uma situação de exploração de seu trabalho e de seus corpos. Tudo o que Truth diz se aplica ao Brasil e suas consequências são sentidas até hoje, como vimos no debate sobre a PEC das domésticas. O conceito de interseccionalidade, o último de hoje, diz respeito justamente à forma como essas diferentes estruturas interagem umas com as outras para produzir as experiências das pessoas.

Para encerrar o texto, que já está longuíssimo, queria falar algumas coisas sobre feminismo. Existem muitos estereótipos sobre o que o feminismo é ou como as feministas são que têm o propósito de deslegitimar o que dizemos. O feminismo apenas reconhece que vivemos numa sociedade desigual em termos de gênero e que essa desigualdade é injusta. Isso não significa que o movimento feminista seja perfeito. Historicamente, o movimento feminista valorizou as demandas das mulheres mais privilegiadas, as brancas, cisgênero, de classe média, ignorando as vozes das demais. Esse problema está longe de ser resolvido. A transfobia de certas pessoas dentro do movimento é triste evidência disso. Mesmo assim, contribuiu para tornar a sociedade mais justa e acredito que pode contribuir ainda mais. Espero que esta breve introdução à discussão de gênero ajude a convencê-los do mesmo.

Continua na parte 3!

* Infelizmente, sem legendas
** Com legendas, mas só em inglês

 

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